quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Retrato da realidade pelo fotógrafo Luiz Gonzaga Alves Vasconcelos

No dia 27 de outubro aconteceu a 30° edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Entre várias categorias jornalísticas, estava a da fotografia, cujo vencedor foi Luiz Gonzaga Alves de Vasconcelos.

Vasconcelos é fotojornalista e cobre a região da Amazônia há mais de 35 anos pelo jornal “A Crítica” de Manaus. A imagem que lhe rendeu o prêmio foi “Índio perde guerra” que mostra uma mãe com seu bebê no colo resistindo à tropa de choque.
Dos 35 anos de trabalho, 15 foram na área policial. Luiz já enfrentou diversas dificuldades por causa de sua profissão, a maioria delas resultado de censura, mas mesmo assim, nunca perdeu o gosto pelo trabalho.

Qualquer um que visse sua (assumida) falta de jeito diante de uma entrevista não imaginaria o tamanho de sua coragem, mas suas fotos e histórias falam por si mesmas.







Que influências um prêmio como este traz para sua carreira?
Olha, pra mim foi tudo, sabe? Eu nem esperava chegar aqui pra ser homenageado. Então, pra mim, é uma alegria muito grande, uma satisfação imensa estar aqui com pessoas que estão acostumadas a receber vários prêmios. Tenho que agradecer a Deus por ter chegado a pelo menos um prêmio e por estar aqui, pois sei que chegar aqui não é muito fácil, não.
Estou há 34 anos trabalhando no jornalismo e já estou até pensando em me aposentar, fazer como jogador de futebol, aproveitar enquanto estou no auge.

Que tipos de desrespeito aos direitos humanos você procura retratar em seu trabalho?

No caso desta fotografia, é a maneira como a polícia trata as pessoas que deveriam ser tratadas de outra maneira. Uma semana antes daquela foto eles tinham retirado o pessoal que estava numa invasão, havia mais de 20 etnias de índios ali. Eles maltrataram as pessoas e como não sei se houve a presença da imprensa nesse dia, ficou por isso mesmo. No dia daquela foto eles usaram a força, mesmo sabendo que a imprensa estava ali.

Como é, ainda hoje, trabalhar em meio à tentativa de censura na região de Manaus?
Eu acho que, em nossa região, cada dia que passa está mais difícil, porque até com a própria imprensa eles maltratam as pessoas, no momento da fotografia tentam tomar a máquina, tomar o filme ou memory stick, as fitas das câmeras. Eles não respeitam a imprensa, não.

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